10 de novembro de 2010

Os meus horrores de Natal - O caso da Senhora Ferrero

Pois é, daqui a nada já falta menos de um mês para essa data que parece mover o mundo, o Natal. Como para muitos esta época do ano é verdadeiramente especial, decidi fazer uma rubrica até ao dia 25 de Dezembro onde todas as semanas irei colocar um post descrevendo o porquê do Natal me irritar tanto. Não me entendam mal, eu até gosto do Natal mas há coisas nesta época do ano que para mim são extraordinariamente sem sentido e pretendo partilhar tudo. Baptizei esta rubrica de Os meus horrores de Natal e prometo que vou esmiuçar cada pormenor dos meus horrores só para vocês e começo já hoje!

Nesta altura do ano começam a surgir nos vários canais televisivos spots publicitários alusivos à época
natalícia. Por entre os habituais anúncios para a pequenada há um que para mim se destaca - os anúncios dos chocolates Ferrero. É um dos primeiros spots a passar na televisão nesta altura porque, segundo eles, os chocolates da marca só são comercializados a partir do Outono, uma vez que com o tempo quente perdem a sua qualidade. Até aqui tudo bem, mas vocês já repararam bem no anuncio do chocolate Ferrero Rocher? É impressão minha ou aquele anuncio tem mais de 15 anos?! Eu acho que já sei aquele discurso de cor, até as entoações nasais eu consigo imitar, juntamente com aquele ar de perdida que a senhora Ferrero (foi assim que a apelidei) faz sempre que procura o Ambrósio! Quase que aposto que aquela senhora já deve ter morrido, bem assim como o mordomo, mas no entanto as suas figuras irão ficar para todo o sempre imortalizadas naquele anuncio onde o Ambrósio surge com uma mala de espelhos que contém uma pirâmide de Ferrero Rocher para satisfazer os desejos da sua senhora.

Aquela intimidade que a madame tem para com o seu motorista parece-me bizarra porque na verdade nenhuma dona da alta sociedade que se veste de amarelo constantemente tem aquele tipo de relação com um empregado. Será que a relação deles vai mais além que a simples empatia de patrão - empregado? Eu
cá acho que vai porque aquele sorriso que ela lhe dá quando lhe diz "Bravo, Ambrósio, lês sempre os meus pensamentos", é um sorriso que esconde muito mais do que pretende mostrar. Confesso que aquilo que eu acho verdadeiramente é que a senhora Ferrero esconde algum tipo de envolvimento sexual com o seu motorista, e por isso é que durante todo o anuncio vão sendo atiradas para o ar pistas que só os mais perspicazes captam! A relação amorosa que a madame mantém com o criado é uma espécie de alter ego da mesma, porque com o pobre coitado ela consegue ser aquilo que jamais será com o seu marido que provavelmente é um empresário rico sem tempo e sem amor para lhe dar. Os chocolates, por sua vez, personificam metaforicamente o amor proibido entre ambos que não pode ser vivido às claras mas sim escondido e vivido em pequenas doses!

Gostava de poder escrever uma carta à empresa dos chocolates Ferrero a expressar esta visão e tenho a certeza que seria premiada pela minha teoria à cerca do anúncio dos chocolates da marca. Candidatava-me até para continuar a desenvolver mais anúncios com informação encriptada acerca da paixão que aqueles dois peões do destino vivem escondidos e ao mesmo tempo ao olhar de todos, durante todos os Outonos e Invernos ao longos dos séculos! Posso até já adiantar algumas linhas do guião que estou a imaginar:

(A Senhora Ferrero viaja no banco de trás do carro, olhando a paisagem com algum desanimo no olhos, enquanto Ambrósio fita os seus olhos azuis através do retrovisor)
:

— Precisa de alguma coisa, minha senhora?
— Estou mal disposta, Ambrósio, acho que me dói rabo...
— Compreendo, mas também aos chocolates que a senhora come!

Detona-se aqui alguma mensagem escondida de qualidade, não? Eu sabia que sim
...


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